O homem no Éden teve muitas alternativas para escolher o
bem, e só uma para escolher o mal; o que ele fez? Escolheu o mal.
O proibido, o que Deus havia falado que não o fizesse, sob o
risco de sofrer a pena de morte. (Gen.2:16,17)
Quando Deus deixou ao homem, a possibilidade deste fazer
suas escolhas, mesmo o alertando sobre a responsabilidade e consequência, ele
não soube lidar com isso. Mostrou-se influenciável, incapaz de resistir e dizer
não ao erro, em nome da obediência a Deus.
O Livre Arbítrio tão desejado pelo homem, que é a capacidade
de pensar, agir tendo como única motivação sua vontade, sua autodeterminação,
mostrou-se algo que colocaria o ser humano em dificuldades.
Se não por outros motivos, pelo menos por esse: O homem, por
incrível que possa parecer, tem a necessidade de pertencer. Ele nunca é, em
última análise, totalmente livre. Ele é livre para pensar, mas não para agir.
Precisa obedecer a certas convenções, quando sua liberdade
esbarra no direito do outro, mostra, que mesmo livre (?), ele é limitado, por
pertencer a um sistema que lhe diz o que é certo e errado.
Área espiritual
Adão, quando comprou a idéia de Eva, de que Deus, esta na
verdade insuflada pela serpente, agente do mal
tornou-se escravo do pior senhor; o pecado.
Na ânsia de ser igual a Deus, ou seja: Ser deus de si mesmo,
e portanto, sem um Deus poderoso para reger sua vida, que seria a independência
da divindade, ele se tornou capacho de um ser cuja motivação é atingir a Deus,
mesmo que seja indiretamente. A morte é o isolamento. A morte é não “depender
de Deus”, também não depender de si, mas um senhor que controla a todos,
através da mentira, da falta de paz, da tristeza, da tragédia humana.
O livre arbítrio é uma falácia. Um engodo. Não existe e
nunca existiu, pois ao homem alguma coisa, um sistema, uma força, um poder
maior, sempre controla.
... pois o homem é escravo daquilo que o domina.
(2 Pedro
2:19).
Algo te controla, dita norma, orienta, te sujeita... Este é
teu senhor!
Lutero, vendo a impossibilidade humana de se pertencer,
pregou o “Arbítrio Servil” Expressão usada para designar a antítese do livre
arbítrio. É a submissão absoluta e inquestionável da vontade humana à graça de
Deus.
A graça de Deus é o caminho
para que Ele, o Criador, voltasse
ao controle da vida do homem, não para exercer um autoritarismo barato, mas
para salvá-lo, de si, do pecado e de satanás. O domínio de Deus é abençoador,
pois livra- nos do jugo imposto pelo erro, pelo pecado e nos promove de servos
para filhos.
Ele nos ganha pela graça como servo, mas nos trata como
filhos. Sendo a graça uma força operante do Espírito, acolhida por nós como um dom e por esta nos
salvar de nós mesmos; nos salva em seguida daquele que nos domina através do
ego.
Através da sensação de liberdade, somos dominados pelo
inimigo.
“Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para
novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do
qual clamamos”: "Aba, Pai" (Romanos 8:15)
Esta é a benção do Arbítrio Servil, servimos a Deus não de
forma inconsciente, como robôs, mas pelo prazer que a graça nos concede;
sabemos o que e a quem fazemos.
A graça estabelece a ordem, faz a separação de quem é de
quem não é. A graça além de trazer salvação nos capacita a recusar o erro.
Educa-nos para isso.
Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os
homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver
de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente (Tito 2:11-12)
Deus não domina como um déspota, mas, sim, didaticamente;
indicando o caminho, como um pai.
A benção da adoção nos eleva a outra condição; de amigos.
“Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu
senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de
meu Pai eu lhes tornei conhecido”. ( João 15:150).
Somos livres pertencendo a Cristo. Pertencer é ser separado
do pecado, do mundo e de ações diabólicas.
O pecado, como agente satânico, não nos domina mais.
Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram
escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida
eterna. (Romanos 6:22)
Este é um bom negocio ter um senhor que não nos trata como
escravos, e sim como filhos e amigos. Verdadeiramente somos livres quando
abrimos mão da mentira do livre-arbítrio e nos entregamos a Deus sem reservas e
exigências.
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